30 de jun. de 2009

Pina Bausch - Adeus!

Alguns ídolos da adolescência se foram (Farrah Fawcet - minha Charlie´s Angel preferida e Michael Jackson - ídolo sempre, postei até a audição dos bailarinos para sua última turnê), e hoje mais uma notícia bem triste pra quem ama a dança. A musa Pina Bausch faleceu aos 68 anos na Alemanha 5 dias após diagnosticar um câncer.

Pina Bausch in Café Müller

Pina Bausch era dos nomes mais importantes da dança expressionista e da dança-teatro. Bailarina contemporânea, passou pelo Brasil, esgotando ingressos na maioria das vezes, a última em 2006. Ela viria com sua companhia para São Paulo para apresentar as peças Café Müller e A Sagração da Primavera. Os shows continuam na agenda da Companhia. Agora, sem a sua diretora artística.
Dançava com a alma, questionava sobre as emoções. Seu processo de criação era em conjunto. Nada era individual. Para quem a assistia, perdia-se o fôlego. Ah, que saudades....
Pina Bausch, adeus!
Segue o vídeo de um trecho dessa linda obra: Café Muller

25 de jun. de 2009

Não se reprima

Então... vou ali e já volto. Enquanto isso, você
Canta, dança, sem parar
Sobe, desce, como quiser
Sonha, vive, como eu
Pula, grita, ô ô ô ô ô ô...
Não segure muito teus instintos porque isso não é natural
Sai do sério, fala alto, dá um grito forte quando queira evitar
É saudável, relaxante, recupera e faz bem pra cabeça
Por isso canta, dança, grita ô ô ô ô ô ô ô
Vá em frente, entra numa boa porque a vida é uma festa
Não controle, não domine, não modere tudo isso faz muito mal
Deixe que a mente se relaxe faça o que mandar o coração
Por isso canta, dança, grita ô ô ô ô ô ô ô
Não se reprima
Não se reprima
Não se reprima
Não se reprima
Não se reprima
Pode gritar
Não se reprima
Não se reprima
Não se reprima
Dança, canta, sobe, desce, vive, corre e pula como eu!
Canta, dança, sem parar
Sobe, desce, como quiser
Sonha, vive, como eu
Pula, grita, ô ô ô ô
Chega de fugir, de se esconder e de deixar a vida pra depois
Não persiste mais, se o mundo gira, o tempo corre, nada vai te esperar
Entra de cabeça nos seus sonhos só assim você vai ser feliz
Por isso canta, dança, grita, ô ô ô ô ô ô

19 de jun. de 2009

É o fim do mundo - por Lya Luft

Fui uma das primeiras meninas a usar calças jeans na minha pequena cidade. Uma de minhas avós, luterana fervorosa, embora fosse uma mulher culta, exclamou: "Isso é o fim do mundo!". Nem o mundo acabou nem deixaram de acontecer coisas bem mais esquisitas, a me recordar aquele episódio, que na hora achei muito engraçado.
Lembro-me dessa expressão com certa frequência. Por exemplo, quando uma criança de 6 anos serviu de atração num programa de TV, eventualmente chorando de medo, nervosismo ou cansaço. Ninguém interveio logo. Se levassem a um programa desses, semana após semana, um filhote de cachorro para fazer gracinhas, as sociedades protetoras dos animais já estariam reclamando. (Quem cuida dos humanos?) Finalmente, uma promotora impediu a criança de exercer esse "trabalho". Parabéns – e que não haja recurso. Lembro-me de minha avó espantada quando assisto ao sofrimento de mulheres magras, muito magras, constantemente lutando para perder mais uns gramas, olhos ávidos da eterna dieta, sorriso forçado de automutiladoras. Para alegria de quem sempre foi fora do esquadro, leio (eu já sabia) que alguns já arriscam dizer que se pode ser saudável e feliz com algum sobrepeso. Não precisamos nos odiar, mas ser naturais, ser quem nos fez a mãe natureza. Porém, a nova onda é a gente se torturar, por falta ou excesso: a bunda pequena, o nariz grande, a barriga balofa, os peitos caídos, os bíceps insuficientes (o ralo QI não preocupa tanto). Aí nos matamos de fome, ou ostentamos um novo nariz estranho à estrutura do rosto em que foi metido, damos uma lipinho de presente de 14 anos a nossa filha. Nós mal conseguimos falar, com uma boca ginecológica, nada sensual. Um terço do nosso dia transcorremos suando e sofrendo muito além do recomendado em academias: não para ser saudáveis, mas para estar em forma, enquanto a alma passa uma fome danada e o tempo passa, a vida encolhe, nós nos desperdiçamos perseguindo modelos impossíveis e burros. Minha avó acharia que o mundo está por acabar diante da confusão entre pessoa pública e propriedade do público: agora o normal é querer que o outro baixe até as calças da alma e mostre as feridas. Algumas chamadas celebridades parecem forçadas a anunciar o que fazem na cama, e com quem. Elas nem são "vistas" na rua, são "flagradas": o seu mero existir já é suspeito. O mundo vai acabar, diria minha severa avó luterana, vendo que a política se troca por politicagem, o jogo de interesses infinitamente acima do bem do povo, a calúnia como ferramenta geral. Gente atirada como bicho (bicho, não, aí viria a defesa dos animais!) em pseudo-hospitais é fato menos comentado do que mosquitos, que podem trazer febre amarela (por isso pessoas assustadas e ignorantes matam saudáveis bugios no interior). Meu amigo atropelou um simpático tatu e quase pegou cadeia; se matasse uma pessoa, sendo réu primário aguardaria em liberdade. Viva o tatu. Abaixo as pessoas. Também se comenta que moradores de rua e pseudocolonos vão ganhar Bolsa Família. Quem ainda vai querer pegar na enxada ou lavar o chão de uma casinha? O mais novo anúncio do fim do mundo pode ser a recomendação de fazermos xixi no banho. É questão ambiental? Enquanto for só xixi que nos recomendam, estamos salvos. Sou a favor de um ambientalismo sensato, que harmonize o convívio entre natureza e humanos, não dê mais atenção a baleias do que a crianças e aceite o progresso, fomente a educação e a higiene. A gente passa anos ensinando aos filhos: não façam xixi no banho nem na piscina. Xixi no chuveiro (e na banheira também?), sinto muito: aqui em casa, não.

Nesse cenário de absurdos, às vezes falta o botão para trocar de canal. Mas, se a menininha da televisão puder voltar a ser criança, os bugios da minha mata forem deixados em paz, os gordinhos não se sentirem os últimos da face da Terra, a gente não for multada por fazer xixi no vaso, quem sabe o fim do mundo ainda demore um pouco para chegar.

11 de jun. de 2009

Mário Quintana

Não sei se choro ou se rio
Não sei se choro um rio

300km de trânsito
300 horas de espera
300 vezes já falei...não sei, mas continuo aqui.

Segunda feira começo
Segunda feira assino
Segunda feira me exponho
Mas antes, sábado te abraço

Ah! Não sei, juro, não sei se choro ou se vou pro Rio
ou se fico aqui chorando um rio

8 de jun. de 2009

Debrucei.....

O meu fim evidente era atar as duas pontas da vida, e restaurar na velhice a adolescência .
Pois, senhor, não consegui recompor o que foi nem o que fui.
Em tudo, se o rosto é igual a fisionomia é diferente.
Se só me faltassem os outros, vá; um homem consola-se mais ou menos das pessoas que perde; mas falto eu mesmo, e esta lacuna é tudo.

trecho do livro Dom Casmurro de Machado de Assis